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Chapada Diamantina

Reabertura do turismo no Vale do Capão divide opiniões e morador externa preocupação.

“O receio maior é a chegada das festas de fim de ano. A gente chega a receber cinco mil pessoas nessas datas. Se esse movimento acontecer, com certeza terá consequências para a segurança sanitária da comunidade. É uma situação realmente difícil. Não sei se fechar tudo de novo pode ser a solução. Mas talvez sim…”

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Devido ao novo cumprimento dos protocolos recomendados pelos órgãos de saúde contra a covid-19 no Vale do Capão, município de Palmeiras, na Chapada Diamantina, desde a última sexta-feira (20), o ponto turístico está novamente reaberta aos visitantes e para o funcionamento das atividades comerciais. A decisão foi tomada com o objetivo de reerguer a economia local, que tem o turismo como uma das suas principais bases. Pensando nisso, o Jornal da Chapada entrou em contato com Rafael Lage, morador do Vale do Capão que já fez parte de grupos que atuaram no controle da covid-19 na região, para tratar do assunto.

“Eu tenho uma loja na rua principal da vila, ainda não me sinto à vontade para reabrir ‘normalmente’, neste mês cheguei a abrir a loja apenas três vezes. Nesse momento, o turismo tem chegado com pouco movimento, em geral casais e famílias. Salvo raras exceções, vejo que os turistas têm utilizado máscaras e estão se preocupando em respeitar a comunidade. Os parques municipais de Palmeiras e o Parque Nacional seguem fechados [Parna foi reaberto parcialmente], então quem vier para cá, não tem muito para onde ir em termos de atrativos naturais. É possível passear na vila e ficar na pousada, acho que isso está ajudando a frear um movimento maior”, salienta Lage.

O rapaz também explica como está sendo essa primeira semana para a população do Vale do Capão após a reabertura para os turistas. “A comunidade está dividida. Por um lado, todos desejam um retorno às suas atividades, seja por uma questão financeira ou pelo prazer de retomar à vida com a intensidade de antes. Por outro, temos a consciência de que o governo federal está completamente perdido e não tem uma estratégia clara para lidar com a ‘segunda onda de covid-19’. Sabemos também que os hospitais regionais de Irecê e Seabra estão com as UTIs lotadas e que esse cenário se estende ao resto do estado da Bahia. Os números de contágios voltaram ao patamar de maio, no pico da pandemia, mas com a diferença de que agora está tudo aberto e as pessoas estão mais vulneráveis do que antes”.

Na ocasião, Rafael também contou como os moradores locais estão reagindo a essa decisão. “O cenário não é bom e nossa comunidade tem muitos idosos, cada um deles é mais que pai e mãe, é um pedaço do próprio Vale, da nossa memória. Dinheiro algum deve nos colocar em posição de arriscar a vida deles”, salienta o morador e microempresário. Ele conclui ressaltando a sua preocupação quanto à reabertura da cidade.

FOTO: Divulgação/Guia

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“O receio maior é a chegada das festas de fim de ano. A gente chega a receber cinco mil pessoas nessas datas. Se esse movimento acontecer, com certeza terá consequências para a segurança sanitária da comunidade. É uma situação realmente difícil. Não sei se fechar tudo de novo pode ser a solução. Mas talvez sim, principalmente nesse contexto do crescimento de casos e da superlotação dos hospitais. Essa semana inclusive tivemos o primeiro caso de um morador contaminado pelo coronavírus. Acho que a comunidade está fragmentada para tomar uma decisão como essa”.

A equipe do Jornal da Chapada procurou o prefeito reeleito de Palmeiras, Ricardo Guimarães (PSD), para entender quais são as metas que visam estabelecer o turismo no Vale do Capão durante o período pandêmico, mas Guimarães não atendeu às ligações, e não respondeu às mensagens enviadas pelo WhastApp no momento em que se encontrava online.

Fonte: Jornal da Chapada

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Ativismo

Preserve o Parque da Soledade – Patrimônio histórico-cultural de Morro do Chapéu, Bahia.

Petição online acumula assinaturas em favor da preservação do Parque da Soledade, patrimonio histórico-cultural de Morro do Chapéu.

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Arte Visual: WMDesign

A presente iniciativa tem o objetivo preservar o patrimônio arquitetônico e cultural de Morro do Chapéu, impedindo a venda de lotes em frente à capela de Nossa Senhora da Soledade e do casarão, residência, do Coronel Dias Coelho, como está sendo o desejo dos atuais proprietários e com isso estimular o poder público municipal a tomar a iniciativa de fazer o Tombamento e desapropriação para utilidade pública.

O historiador Moiseis de Oliveira Sampaio, no artigo ‘O parque da Soledade em Morro do Chapéu’ esclarece ‘patrimônio histórico’ e contextualiza. Leia abaixo:

“Entende-se como patrimônio histórico os bens produzidos com finalidades especificas, culto, moradia, que tem valor histórico, na medida em que evoca à memória social eventos, personalidades ou grupos que se notabilizaram em um determinado lugar. As obras de arte, imagens sacras e construções. Contam histórias de um povo ou um lugar, e, principalmente as casas onde personalidades viveram e atuaram, contam e fazem parte da trajetória histórica de um povo.

Em Morro do Chapéu, muito ainda há para ser contado, a atual cidade, foi fruto de uma das primeiras fazendas de gado do interior baiano, com origens remontando a 1695, ainda no século XVIII, uma pequena povoação se formou em torno da capela de Nossa Senhora da Graça de Morro do Chapéu concentrando moradores da região que constavam escravos, trabalhadores livres e fazendeiros , era na época uma importante região de cria e recria de gado para abastecer o recôncavo e a zona administrativa da capital de carne com o gado criado no sertão da Bahia e vindos do Ceara e Piaui.

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O desenvolvimento da região se deu em fins de meados a fins do século XIX, a descoberta de diamantes e carbonatos na região potencializou o crescimento local, e o pequeno arraial de Nossa Senhora da Graça de Morro do Chapéu começou a se notabilizar. Uma elite mineradora se estabilizou no lugar, e diferente do que acontecia em outros lugares no mesmo período, para o Morro do Chapéu, está nova elite era formada por negros e mestiços, que enriqueceram com o comercio de pedras preciosas e tomaram o poder politico na região, dentre eles, o notável Coronel Francisco Dias Coelho.

Pesquisas recentes dão notícia da importância para o estado da Bahia do coronel negro, único em seu tempo a se tornar comandante da 174 brigada de Infantaria da Guarda Nacional, e décimo homem mais rico da Bahia. O que lhe torna peculiar é a sua origem, netos de escravos, filho de uma família negra no sertão da Bahia, que para fugir da indigência foi adotado por um pequeno comerciante local. Enriqueceu, e se tornou coronel, chefe político e exímio administrador publico, para além de administrar os seus próprios bens também soube modernizar a cidade.

Ainda no início do século XX, quando a ciência eugênica preconizava a inferioridade biológica dos negros, Dias Coelho implantou um plano de alfabetização da região, reformulou urbanamente a cidade de morro do Chapéu nos moldes franceses, antecedendo Salvador (capital baiana) Rio de Janeiro (capital federal), e se equiparava às metrópoles europeias, embora a pequena cidade do interior baiano fosse um fração das cidades citadas.

Foto: Welton Matos / WM News

O centro físico do seu poder era a sua residência localizada em Morro do Chapéu, logradouro denominado Parque da Soledade. Nesta residência, que era uma das suas muitas propriedades tanto em Morro do Chapéu quanto em outros lugares, o Coronel Dias Coelho fazia suas reuniões politicas, comemoravam as festas populares, com a presença da orquestra filarmônica que ele mesmo fundou, e realizava as comemorações de São Benedito, imagem simbólica para um coronel negro que dominava a elite branca, com o apoio da população negra, caso único e que ainda necessita de maiores pesquisas.


No inventario post mortem do Coronel Dias Coelho a casa é descrita como: pertencente ao parque da Soledade com nove janelas de frente, entrada lateral com quintal de murado, e parte cercado de arame, avaliada em cinco contos de réis. Também estava localizado no parque da Soledade e pertencente ao Coronel Dias Coelho um alambique com uma porta e oito janelas de frente, quintal murado e cerca de arame tendo de frente quatro e de largo sete metros, valendo três contos de réis.

O logradouro denominado Parque da Soledade era ainda composto por uma capela que abriga até hoje a imagem de Nossa Senhora da Soledade, esta construção não consta entre os bens do Coronel Dias Coelho, tanto a capela quanto a imagem foram, mencionados pela viúva que a intenção era de construir uma igreja, entretanto, o projeto do coronel não se concretizou ficando apenas a capela e o esquife de vidro que serve de sacrário para a Imagem da santa, localizado ao lado da casa, sem, no entanto pertencer à propriedade.

O Parque da Soledade é o último remanescente do projeto urbanístico, instituído na Lei 31 de 1911, neste projeto, como dito acima, detalhava o projeto urbanístico da cidade, caracterizada por ruas retas e largas, e com a preocupação com a construção das casas, para que os “miasmas” não se proliferassem produzindo doenças na cidade.


A residência do Coronel Dias Coelho, é ainda hoje a única construção da cidade que ainda preserva o seu aspecto original, a altura das paredes, das janelas e das portas obedecem ao projeto original da cidade, quando a cidade era uma das mais desenvolvidas do interior da Bahia. Ainda que mais de um século tenha se passado, as reformas posteriores não descaracterizaram a construção, sendo considerada uma relíquia histórica e, portanto, patrimônio histórico do povo do Morro do Chapéu, e consequentemente da Bahia.

Mesmo com o racismo estrutural, ocorrido nas décadas posteriores ao falecimento do Coronel Dias Coelho, com o apagamento sistemático da memoria local, trocando nomes de ruas e praças, renomeando escolas até que nos anos 90 do século XX, fosse um ilustre desconhecido na cidade, o parque da Soledade sempre foi um espaço de visitação e manutenção da memória local.

O desaparecimento deste lugar, graças a especulação imobiliária recente , não é somente a demolição de uma casa antiga, ou o desaparecimento de uma área de visitação e lazer da população, também é o apagamento da memoria , o fim do patrimônio visual histórico, do mais importante chefe politico negro da Bahia, que teve importantíssimo papel na politica e sociedade baiana, e que representou, como poucos, a possibilidade de que negros e pobres o são pelo nascimento, mas não estão condenados a sê-lo até a morte. A manutenção do parque da Soledade é vital para a existência da memoria histórica de Morro do Chapéu”. Moiseis de Oliveira Sampaio – Historiador/UNEB – Mat. 74426902-5

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