Connect with us

Ativismo

Ativista ambiental morrense lidera movimento de preservação de ‘ponto turístico’ no Vale Ouro

Nosso amigo, Bruno, morador do bairro Vale Ouro apresenta o “Projeto Consciência Vive” de preservação ambiental do ponto turístico, não oficial, da cidade de Morro do Chapéu conhecido como Paredão.

Publicado

dia

O Projeto Consciência Vive é um projeto que se iniciou de uma maneira bem espontânea, pois o projeto tem como ponto principal manter a preservação do meio ambiente e das vidas que dele dependem.

Eu, Bruno, por ser morador do bairro Vale Ouro e frequentador do espaço mais conhecido como Paredão onde o mesmo bairro se localiza, notei que as pessoas que ali frequentavam estavam poluindo o ambiente, e esse local que é presente a mim desde a minha infância. Analisei a situação e vi que realmente precisa ser cuidado e preservado. Local esse que nos proporciona uma bela vista, um ótimo por do sol e outras sensações e aos poucos esta sendo reconhecido como ponto turístico da cidade de Morro do Chapéu.

Em 2018  comecei fazendo coletas dos lixos que ali ficavam, e assim eu coletava os lixos e não passava nenhuma  informação para as pessoas que ali frequentavam sobre a necessidade de preservarmos o meio ambiente e durante as manutenções sempre tinha lixos em grandes quantidades espalhados por toda a serra, logo após  que eu iniciei o projeto alguns amigos do bairro, meus irmãos e outros conhecidos se juntaram a mim pra efetuação das manutenções no espaço do paredão em prol da natureza, mas com o passar do tempo dificuldades apareceram mediantes as minhas rotinas de trabalho e estudo que me  fizeram dar uma pausa em todo esse processo que estava sendo construído ao poucos por eu não ter um tempo somente destinado ao projeto.

Com o passar do tempo no ano de 2019 decidi reativar o projeto e pôr em pratica com todas as ferramentas que eu tinha ao meu favor em uma visão mais ampla, fiz placa com pedaços de pvc escrevi algumas frases sobre a conscientização ambiental e as coloquei no espaço, também comecei a passar informações para as  pessoas sobre a necessidade de preservarmos a natureza, e por mais incrível que pareça quando eu chegava para fazer a manutenção sempre tinha lixos espalhados garrafas pets, carteiras de cigarros, garrafas de vidro quebradas , onde notava-se  que as pessoas realmente ignoravam o ato de ser consciente em pequenas ações de grandes impactos, e isso realmente mim deixava um  pouco desmotivado em levar o projeto a frente, logo após refleti e lembrei que estava fazendo a minha parte por mais difícil que seja.

CONTINUA APÓS PUBLICIDADE



Em 2020 organizei lixeiras recicláveis para as coletas seletivas e as coloquei em diferentes pontos do paredão na intenção de quem vier ao ambiente e produzir algum lixo ali adicionar de maneira adequada, em seguida realizei novas coletas dos lixos nos entornos do paredão e alguns amigos e meus irmãos novamente se dispuseram a mim ajudar , em um momento mais a frente retirei as placas de pvc e coloquei outras de madeiras também com frases de conscientização e motivação criei  pequenos jardins com algumas mudas de orquídeas e de outras plantas nativas do ambiente.

É notório que estamos passando por um  momento muito difícil com a nova pandemia do (covid-19 corona vírus), momento esse de prevenção e reflexão sobre a vida e de mudanças necessária aqui  na terra, diante de todo esse processo de isolamento social , vem-se a questão de algumas pessoas furarem o isolamento por não conseguirem ficar em casa, e o paredão que fica bem próximo há cidade acaba sendo o ponto de refúgio mais próximo que muitos tem, e com isso alguns vão curtir o local consomem bebidas e produzem lixos e  os deixa de maneira inadequada ,trazendo como consequência a poluição do meio ambiente, em um momento que eu acredito que seja de mudanças de nos reinventarmos com coisas boas.

Em meio a essa pandemia a maior dificuldade permanente que se tem no projeto é justamente a questão do lixo a não poluição do meio ambiente, onde estou na tentativa de passar informações a todos que ali vão em que através disso elas possam se auto educar ambientalmente gerando boas ações a natureza.  Deixo aqui os meus agradecimentos a todos os que vão ao paredão e de certa forma ajudam na transmissão de boas informações e por realmente saber se colocar no lugar do próximo respeitando o meio ambiente e as outras pessoas que ali também há de frequentar.

Veja Mais
Clique para comentar
0 0 vote
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks

Ativismo

Preserve o Parque da Soledade – Patrimônio histórico-cultural de Morro do Chapéu, Bahia.

Petição online acumula assinaturas em favor da preservação do Parque da Soledade, patrimonio histórico-cultural de Morro do Chapéu.

Publicado

dia

Arte Visual: WMDesign

A presente iniciativa tem o objetivo preservar o patrimônio arquitetônico e cultural de Morro do Chapéu, impedindo a venda de lotes em frente à capela de Nossa Senhora da Soledade e do casarão, residência, do Coronel Dias Coelho, como está sendo o desejo dos atuais proprietários e com isso estimular o poder público municipal a tomar a iniciativa de fazer o Tombamento e desapropriação para utilidade pública.

O historiador Moiseis de Oliveira Sampaio, no artigo ‘O parque da Soledade em Morro do Chapéu’ esclarece ‘patrimônio histórico’ e contextualiza. Leia abaixo:

“Entende-se como patrimônio histórico os bens produzidos com finalidades especificas, culto, moradia, que tem valor histórico, na medida em que evoca à memória social eventos, personalidades ou grupos que se notabilizaram em um determinado lugar. As obras de arte, imagens sacras e construções. Contam histórias de um povo ou um lugar, e, principalmente as casas onde personalidades viveram e atuaram, contam e fazem parte da trajetória histórica de um povo.

Em Morro do Chapéu, muito ainda há para ser contado, a atual cidade, foi fruto de uma das primeiras fazendas de gado do interior baiano, com origens remontando a 1695, ainda no século XVIII, uma pequena povoação se formou em torno da capela de Nossa Senhora da Graça de Morro do Chapéu concentrando moradores da região que constavam escravos, trabalhadores livres e fazendeiros , era na época uma importante região de cria e recria de gado para abastecer o recôncavo e a zona administrativa da capital de carne com o gado criado no sertão da Bahia e vindos do Ceara e Piaui.

CONTINUA APÓS PUBLICIDADE



O desenvolvimento da região se deu em fins de meados a fins do século XIX, a descoberta de diamantes e carbonatos na região potencializou o crescimento local, e o pequeno arraial de Nossa Senhora da Graça de Morro do Chapéu começou a se notabilizar. Uma elite mineradora se estabilizou no lugar, e diferente do que acontecia em outros lugares no mesmo período, para o Morro do Chapéu, está nova elite era formada por negros e mestiços, que enriqueceram com o comercio de pedras preciosas e tomaram o poder politico na região, dentre eles, o notável Coronel Francisco Dias Coelho.

Pesquisas recentes dão notícia da importância para o estado da Bahia do coronel negro, único em seu tempo a se tornar comandante da 174 brigada de Infantaria da Guarda Nacional, e décimo homem mais rico da Bahia. O que lhe torna peculiar é a sua origem, netos de escravos, filho de uma família negra no sertão da Bahia, que para fugir da indigência foi adotado por um pequeno comerciante local. Enriqueceu, e se tornou coronel, chefe político e exímio administrador publico, para além de administrar os seus próprios bens também soube modernizar a cidade.

Ainda no início do século XX, quando a ciência eugênica preconizava a inferioridade biológica dos negros, Dias Coelho implantou um plano de alfabetização da região, reformulou urbanamente a cidade de morro do Chapéu nos moldes franceses, antecedendo Salvador (capital baiana) Rio de Janeiro (capital federal), e se equiparava às metrópoles europeias, embora a pequena cidade do interior baiano fosse um fração das cidades citadas.

Foto: Welton Matos / WM News

O centro físico do seu poder era a sua residência localizada em Morro do Chapéu, logradouro denominado Parque da Soledade. Nesta residência, que era uma das suas muitas propriedades tanto em Morro do Chapéu quanto em outros lugares, o Coronel Dias Coelho fazia suas reuniões politicas, comemoravam as festas populares, com a presença da orquestra filarmônica que ele mesmo fundou, e realizava as comemorações de São Benedito, imagem simbólica para um coronel negro que dominava a elite branca, com o apoio da população negra, caso único e que ainda necessita de maiores pesquisas.


No inventario post mortem do Coronel Dias Coelho a casa é descrita como: pertencente ao parque da Soledade com nove janelas de frente, entrada lateral com quintal de murado, e parte cercado de arame, avaliada em cinco contos de réis. Também estava localizado no parque da Soledade e pertencente ao Coronel Dias Coelho um alambique com uma porta e oito janelas de frente, quintal murado e cerca de arame tendo de frente quatro e de largo sete metros, valendo três contos de réis.

O logradouro denominado Parque da Soledade era ainda composto por uma capela que abriga até hoje a imagem de Nossa Senhora da Soledade, esta construção não consta entre os bens do Coronel Dias Coelho, tanto a capela quanto a imagem foram, mencionados pela viúva que a intenção era de construir uma igreja, entretanto, o projeto do coronel não se concretizou ficando apenas a capela e o esquife de vidro que serve de sacrário para a Imagem da santa, localizado ao lado da casa, sem, no entanto pertencer à propriedade.

O Parque da Soledade é o último remanescente do projeto urbanístico, instituído na Lei 31 de 1911, neste projeto, como dito acima, detalhava o projeto urbanístico da cidade, caracterizada por ruas retas e largas, e com a preocupação com a construção das casas, para que os “miasmas” não se proliferassem produzindo doenças na cidade.


A residência do Coronel Dias Coelho, é ainda hoje a única construção da cidade que ainda preserva o seu aspecto original, a altura das paredes, das janelas e das portas obedecem ao projeto original da cidade, quando a cidade era uma das mais desenvolvidas do interior da Bahia. Ainda que mais de um século tenha se passado, as reformas posteriores não descaracterizaram a construção, sendo considerada uma relíquia histórica e, portanto, patrimônio histórico do povo do Morro do Chapéu, e consequentemente da Bahia.

Mesmo com o racismo estrutural, ocorrido nas décadas posteriores ao falecimento do Coronel Dias Coelho, com o apagamento sistemático da memoria local, trocando nomes de ruas e praças, renomeando escolas até que nos anos 90 do século XX, fosse um ilustre desconhecido na cidade, o parque da Soledade sempre foi um espaço de visitação e manutenção da memória local.

O desaparecimento deste lugar, graças a especulação imobiliária recente , não é somente a demolição de uma casa antiga, ou o desaparecimento de uma área de visitação e lazer da população, também é o apagamento da memoria , o fim do patrimônio visual histórico, do mais importante chefe politico negro da Bahia, que teve importantíssimo papel na politica e sociedade baiana, e que representou, como poucos, a possibilidade de que negros e pobres o são pelo nascimento, mas não estão condenados a sê-lo até a morte. A manutenção do parque da Soledade é vital para a existência da memoria histórica de Morro do Chapéu”. Moiseis de Oliveira Sampaio – Historiador/UNEB – Mat. 74426902-5

Veja Mais

ARQUIVO WM

0
Would love your thoughts, please comment.x
()
x