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Preserve o Parque da Soledade – Patrimônio histórico-cultural de Morro do Chapéu, Bahia.

Petição online acumula assinaturas em favor da preservação do Parque da Soledade, patrimonio histórico-cultural de Morro do Chapéu.

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Arte Visual: WMDesign

A presente iniciativa tem o objetivo preservar o patrimônio arquitetônico e cultural de Morro do Chapéu, impedindo a venda de lotes em frente à capela de Nossa Senhora da Soledade e do casarão, residência, do Coronel Dias Coelho, como está sendo o desejo dos atuais proprietários e com isso estimular o poder público municipal a tomar a iniciativa de fazer o Tombamento e desapropriação para utilidade pública.

O historiador Moiseis de Oliveira Sampaio, no artigo ‘O parque da Soledade em Morro do Chapéu’ esclarece ‘patrimônio histórico’ e contextualiza. Leia abaixo:

“Entende-se como patrimônio histórico os bens produzidos com finalidades especificas, culto, moradia, que tem valor histórico, na medida em que evoca à memória social eventos, personalidades ou grupos que se notabilizaram em um determinado lugar. As obras de arte, imagens sacras e construções. Contam histórias de um povo ou um lugar, e, principalmente as casas onde personalidades viveram e atuaram, contam e fazem parte da trajetória histórica de um povo.

Em Morro do Chapéu, muito ainda há para ser contado, a atual cidade, foi fruto de uma das primeiras fazendas de gado do interior baiano, com origens remontando a 1695, ainda no século XVIII, uma pequena povoação se formou em torno da capela de Nossa Senhora da Graça de Morro do Chapéu concentrando moradores da região que constavam escravos, trabalhadores livres e fazendeiros , era na época uma importante região de cria e recria de gado para abastecer o recôncavo e a zona administrativa da capital de carne com o gado criado no sertão da Bahia e vindos do Ceara e Piaui.

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O desenvolvimento da região se deu em fins de meados a fins do século XIX, a descoberta de diamantes e carbonatos na região potencializou o crescimento local, e o pequeno arraial de Nossa Senhora da Graça de Morro do Chapéu começou a se notabilizar. Uma elite mineradora se estabilizou no lugar, e diferente do que acontecia em outros lugares no mesmo período, para o Morro do Chapéu, está nova elite era formada por negros e mestiços, que enriqueceram com o comercio de pedras preciosas e tomaram o poder politico na região, dentre eles, o notável Coronel Francisco Dias Coelho.

Pesquisas recentes dão notícia da importância para o estado da Bahia do coronel negro, único em seu tempo a se tornar comandante da 174 brigada de Infantaria da Guarda Nacional, e décimo homem mais rico da Bahia. O que lhe torna peculiar é a sua origem, netos de escravos, filho de uma família negra no sertão da Bahia, que para fugir da indigência foi adotado por um pequeno comerciante local. Enriqueceu, e se tornou coronel, chefe político e exímio administrador publico, para além de administrar os seus próprios bens também soube modernizar a cidade.

Ainda no início do século XX, quando a ciência eugênica preconizava a inferioridade biológica dos negros, Dias Coelho implantou um plano de alfabetização da região, reformulou urbanamente a cidade de morro do Chapéu nos moldes franceses, antecedendo Salvador (capital baiana) Rio de Janeiro (capital federal), e se equiparava às metrópoles europeias, embora a pequena cidade do interior baiano fosse um fração das cidades citadas.

Foto: Welton Matos / WM News

O centro físico do seu poder era a sua residência localizada em Morro do Chapéu, logradouro denominado Parque da Soledade. Nesta residência, que era uma das suas muitas propriedades tanto em Morro do Chapéu quanto em outros lugares, o Coronel Dias Coelho fazia suas reuniões politicas, comemoravam as festas populares, com a presença da orquestra filarmônica que ele mesmo fundou, e realizava as comemorações de São Benedito, imagem simbólica para um coronel negro que dominava a elite branca, com o apoio da população negra, caso único e que ainda necessita de maiores pesquisas.


No inventario post mortem do Coronel Dias Coelho a casa é descrita como: pertencente ao parque da Soledade com nove janelas de frente, entrada lateral com quintal de murado, e parte cercado de arame, avaliada em cinco contos de réis. Também estava localizado no parque da Soledade e pertencente ao Coronel Dias Coelho um alambique com uma porta e oito janelas de frente, quintal murado e cerca de arame tendo de frente quatro e de largo sete metros, valendo três contos de réis.

O logradouro denominado Parque da Soledade era ainda composto por uma capela que abriga até hoje a imagem de Nossa Senhora da Soledade, esta construção não consta entre os bens do Coronel Dias Coelho, tanto a capela quanto a imagem foram, mencionados pela viúva que a intenção era de construir uma igreja, entretanto, o projeto do coronel não se concretizou ficando apenas a capela e o esquife de vidro que serve de sacrário para a Imagem da santa, localizado ao lado da casa, sem, no entanto pertencer à propriedade.

O Parque da Soledade é o último remanescente do projeto urbanístico, instituído na Lei 31 de 1911, neste projeto, como dito acima, detalhava o projeto urbanístico da cidade, caracterizada por ruas retas e largas, e com a preocupação com a construção das casas, para que os “miasmas” não se proliferassem produzindo doenças na cidade.


A residência do Coronel Dias Coelho, é ainda hoje a única construção da cidade que ainda preserva o seu aspecto original, a altura das paredes, das janelas e das portas obedecem ao projeto original da cidade, quando a cidade era uma das mais desenvolvidas do interior da Bahia. Ainda que mais de um século tenha se passado, as reformas posteriores não descaracterizaram a construção, sendo considerada uma relíquia histórica e, portanto, patrimônio histórico do povo do Morro do Chapéu, e consequentemente da Bahia.

Mesmo com o racismo estrutural, ocorrido nas décadas posteriores ao falecimento do Coronel Dias Coelho, com o apagamento sistemático da memoria local, trocando nomes de ruas e praças, renomeando escolas até que nos anos 90 do século XX, fosse um ilustre desconhecido na cidade, o parque da Soledade sempre foi um espaço de visitação e manutenção da memória local.

O desaparecimento deste lugar, graças a especulação imobiliária recente , não é somente a demolição de uma casa antiga, ou o desaparecimento de uma área de visitação e lazer da população, também é o apagamento da memoria , o fim do patrimônio visual histórico, do mais importante chefe politico negro da Bahia, que teve importantíssimo papel na politica e sociedade baiana, e que representou, como poucos, a possibilidade de que negros e pobres o são pelo nascimento, mas não estão condenados a sê-lo até a morte. A manutenção do parque da Soledade é vital para a existência da memoria histórica de Morro do Chapéu”. Moiseis de Oliveira Sampaio – Historiador/UNEB – Mat. 74426902-5

Sou Welton Matos, baiano formando em comunicação, e tecnologia. Apaixonado por design, internet, informação, fotografia e música. Amigo da natureza.

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Jogadores negros do Fortaleza fazem ato contra o racismo antes de jogo

Campanha faz parte de reivindicação por mudanças na lei do esporte em relação à injúria racial

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Os jogadores negros do Fortaleza fizeram um protesto contra o racismo antes da partida contra o Corinthians, noite de quarta-feira, 2, pelo Campeonato Brasileiro.

Os atletas, como Bergson e David, usaram uma camiseta com as cores do clube cearense –azul, vermelho e branco–, mas no lugar das tradicionais listras, círculos que formavam um alvo nas costas.

A iniciativa dos jogadores do Fortaleza, conhecido como Leão do Pici, é para reivindicar mudanças na lei do esporte para que a injúria racial, quando praticada pelos torcedores, seja enquadrada como crime de racismo.

‘Vidas negras importam’ chacoalha brasileiros entorpecidos pela rotina de violência racista

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10 músicas sobre racismo e orgulho negro para você ouvir agora

“Os atletas negros do nosso elenco entraram com uma camisa que representa como os negros se sentem todos os dias: com um alvo nas costas. A cada 100 vítimas de homicídio no Brasil, 75 são negras”, disse o clube no Facebook.

“Nossa ação acontece para apoiar todos os atletas negros que já sofreram ataques racistas dentro e fora do campo e também para protestar por uma revisão de lei do esporte, que não pune a injúria racial como crime de racismo, quando vinda de torcedores (CBJD – artigo 243-G)”, acrescentou o clube na postagem feita no Facebook.

Racismo nosso de cada dia

No Brasil, o racismo se manifesta de diferentes formas. No acesso à educação, na violência contra a mulher, no mercado de trabalho e, sobretudo, no genocídio em curso que a cada 23 minutos tira a vida de um jovem negro, segundo dados apresentados pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Petterson, uma das vítimas no restaurante Esquina da Praça, destaca que nunca havia passado por situação parecida. Para ele, algo inaceitável. “A gente sabe que isso é uma coisa frequente, mas nunca tinha vivido nada parecido. É uma revolta muito grande. Arremessaram cadeiras sobre mim, agrediram meu primo com uma paulada na cabeça. Quem chama de vitimismo é porque nunca passou por isso ou nunca passará.”

Enfatiza ainda que busca apenas valorização e tratamento justo na sociedade. Acredita que o cenário de exclusão e intolerância só mudará quando as pessoas não deixarem de denunciar. “Nós ficamos triste com tudo o que aconteceu, por ser mais um caso de racismo. Mas não podemos desistir. Temos que denunciar e buscar justiça até o fim.”

Pretos no topo

Lucas reforça a opinião do primo e destaca outro fator fundamental para o fim da racismo no Brasil: a união entre as pessoas. Sobretudo as de pele preta. “Quando vejo pessoas de pele negra concordando que isso é vitimismo é o que mais me revolta. Nem tanto as pessoas brancas, porque elas nunca vão entender o que significa. É uma luta diária, que devemos travar todos os dias.”

Apesar disso, ressalta que o episódio o tornou ainda mais forte para alcançar seu objetivo: chegar ao topo e criar novas frentes, profissões, pólos negros, para unir e gerar força para a população afrodescendente. “Agora que fui impedido de entrar naquele restaurante por causa minha cor, vou lutar pra comprar um lugar onde quero que as pessoas da minha pele entrem. Isso só me torna mais forte para chegar ao topo”.

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