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Chapada Diamantina

Prefeito de Piatã registra queixa em delegacia por ser ameaçado de morte por traficantes locais.

Ameaçando também sua família, o criminoso diz que o prefeito tem responsabilidade sobre ações da PM contra o tráfico local.

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O prefeito do município de Piatã, na Chapada Diamantina, Edwilson Oliveira Marques, o popular ‘Ed Peças’ (PDT), registrou na manhã desta quarta-feira (11) um queixa na Delegacia de Polícia por ter recebido ameaças de morte. De acordo com o gestor, ele e sua família estão em alerta por receberem as ameaças feitas por traficantes conhecidos na região. “Os criminosos atribuem ao prefeito, sem fundamento algum, responsabilidade por ações da Polícia Militar de combate ao tráfico de drogas”, aponta a assessoria do político.

No boletim de ocorrência enviado ao Jornal da Chapada, ‘Ed Peças’ registra que um homem, sem identificação, chegou na cidade e disse a terceiros que estaria “no dia da votação para matar Edwilson, pois o sobrinho de um criminoso morto no dia 17 de julho por intervenção da Polícia Militar, em Seabra. O traficante ainda gravou um vídeo e publicou em redes sociais, afirmando ter dois mandatos de prisão e uma vasta ficha criminal, alegando que “Ed derramou meu sangue tentando me matar”.

Ainda conforme dados apurados pela reportagem, o gestor solicitou proteção policial para ele e seus familiares. “Em 2016, também no período eleitoral, aconteceram fatos idênticos, mas, agora, as ameaças ocorrem de forma premeditada e organizada, através de mensagem de WhatsApp, que registram promessas de vingança, tendo como alvo inclusive, minha família”, alega prefeito, nitidamente abalado pelas ameaças.

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Ativismo

Preserve o Parque da Soledade – Patrimônio histórico-cultural de Morro do Chapéu, Bahia.

Petição online acumula assinaturas em favor da preservação do Parque da Soledade, patrimonio histórico-cultural de Morro do Chapéu.

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Arte Visual: WMDesign

A presente iniciativa tem o objetivo preservar o patrimônio arquitetônico e cultural de Morro do Chapéu, impedindo a venda de lotes em frente à capela de Nossa Senhora da Soledade e do casarão, residência, do Coronel Dias Coelho, como está sendo o desejo dos atuais proprietários e com isso estimular o poder público municipal a tomar a iniciativa de fazer o Tombamento e desapropriação para utilidade pública.

O historiador Moiseis de Oliveira Sampaio, no artigo ‘O parque da Soledade em Morro do Chapéu’ esclarece ‘patrimônio histórico’ e contextualiza. Leia abaixo:

“Entende-se como patrimônio histórico os bens produzidos com finalidades especificas, culto, moradia, que tem valor histórico, na medida em que evoca à memória social eventos, personalidades ou grupos que se notabilizaram em um determinado lugar. As obras de arte, imagens sacras e construções. Contam histórias de um povo ou um lugar, e, principalmente as casas onde personalidades viveram e atuaram, contam e fazem parte da trajetória histórica de um povo.

Em Morro do Chapéu, muito ainda há para ser contado, a atual cidade, foi fruto de uma das primeiras fazendas de gado do interior baiano, com origens remontando a 1695, ainda no século XVIII, uma pequena povoação se formou em torno da capela de Nossa Senhora da Graça de Morro do Chapéu concentrando moradores da região que constavam escravos, trabalhadores livres e fazendeiros , era na época uma importante região de cria e recria de gado para abastecer o recôncavo e a zona administrativa da capital de carne com o gado criado no sertão da Bahia e vindos do Ceara e Piaui.

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O desenvolvimento da região se deu em fins de meados a fins do século XIX, a descoberta de diamantes e carbonatos na região potencializou o crescimento local, e o pequeno arraial de Nossa Senhora da Graça de Morro do Chapéu começou a se notabilizar. Uma elite mineradora se estabilizou no lugar, e diferente do que acontecia em outros lugares no mesmo período, para o Morro do Chapéu, está nova elite era formada por negros e mestiços, que enriqueceram com o comercio de pedras preciosas e tomaram o poder politico na região, dentre eles, o notável Coronel Francisco Dias Coelho.

Pesquisas recentes dão notícia da importância para o estado da Bahia do coronel negro, único em seu tempo a se tornar comandante da 174 brigada de Infantaria da Guarda Nacional, e décimo homem mais rico da Bahia. O que lhe torna peculiar é a sua origem, netos de escravos, filho de uma família negra no sertão da Bahia, que para fugir da indigência foi adotado por um pequeno comerciante local. Enriqueceu, e se tornou coronel, chefe político e exímio administrador publico, para além de administrar os seus próprios bens também soube modernizar a cidade.

Ainda no início do século XX, quando a ciência eugênica preconizava a inferioridade biológica dos negros, Dias Coelho implantou um plano de alfabetização da região, reformulou urbanamente a cidade de morro do Chapéu nos moldes franceses, antecedendo Salvador (capital baiana) Rio de Janeiro (capital federal), e se equiparava às metrópoles europeias, embora a pequena cidade do interior baiano fosse um fração das cidades citadas.

Foto: Welton Matos / WM News

O centro físico do seu poder era a sua residência localizada em Morro do Chapéu, logradouro denominado Parque da Soledade. Nesta residência, que era uma das suas muitas propriedades tanto em Morro do Chapéu quanto em outros lugares, o Coronel Dias Coelho fazia suas reuniões politicas, comemoravam as festas populares, com a presença da orquestra filarmônica que ele mesmo fundou, e realizava as comemorações de São Benedito, imagem simbólica para um coronel negro que dominava a elite branca, com o apoio da população negra, caso único e que ainda necessita de maiores pesquisas.


No inventario post mortem do Coronel Dias Coelho a casa é descrita como: pertencente ao parque da Soledade com nove janelas de frente, entrada lateral com quintal de murado, e parte cercado de arame, avaliada em cinco contos de réis. Também estava localizado no parque da Soledade e pertencente ao Coronel Dias Coelho um alambique com uma porta e oito janelas de frente, quintal murado e cerca de arame tendo de frente quatro e de largo sete metros, valendo três contos de réis.

O logradouro denominado Parque da Soledade era ainda composto por uma capela que abriga até hoje a imagem de Nossa Senhora da Soledade, esta construção não consta entre os bens do Coronel Dias Coelho, tanto a capela quanto a imagem foram, mencionados pela viúva que a intenção era de construir uma igreja, entretanto, o projeto do coronel não se concretizou ficando apenas a capela e o esquife de vidro que serve de sacrário para a Imagem da santa, localizado ao lado da casa, sem, no entanto pertencer à propriedade.

O Parque da Soledade é o último remanescente do projeto urbanístico, instituído na Lei 31 de 1911, neste projeto, como dito acima, detalhava o projeto urbanístico da cidade, caracterizada por ruas retas e largas, e com a preocupação com a construção das casas, para que os “miasmas” não se proliferassem produzindo doenças na cidade.


A residência do Coronel Dias Coelho, é ainda hoje a única construção da cidade que ainda preserva o seu aspecto original, a altura das paredes, das janelas e das portas obedecem ao projeto original da cidade, quando a cidade era uma das mais desenvolvidas do interior da Bahia. Ainda que mais de um século tenha se passado, as reformas posteriores não descaracterizaram a construção, sendo considerada uma relíquia histórica e, portanto, patrimônio histórico do povo do Morro do Chapéu, e consequentemente da Bahia.

Mesmo com o racismo estrutural, ocorrido nas décadas posteriores ao falecimento do Coronel Dias Coelho, com o apagamento sistemático da memoria local, trocando nomes de ruas e praças, renomeando escolas até que nos anos 90 do século XX, fosse um ilustre desconhecido na cidade, o parque da Soledade sempre foi um espaço de visitação e manutenção da memória local.

O desaparecimento deste lugar, graças a especulação imobiliária recente , não é somente a demolição de uma casa antiga, ou o desaparecimento de uma área de visitação e lazer da população, também é o apagamento da memoria , o fim do patrimônio visual histórico, do mais importante chefe politico negro da Bahia, que teve importantíssimo papel na politica e sociedade baiana, e que representou, como poucos, a possibilidade de que negros e pobres o são pelo nascimento, mas não estão condenados a sê-lo até a morte. A manutenção do parque da Soledade é vital para a existência da memoria histórica de Morro do Chapéu”. Moiseis de Oliveira Sampaio – Historiador/UNEB – Mat. 74426902-5

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