Connect with us

Política

A(À) lei

Publicado

dia

Lei e justiça não são sinônimos. Mas não me interessa, neste momento, distinções conceituais. Reconheço as lacunas conceituais deste ato escrevinhador. No entanto, avanço,ensaiando o sulear , rumo à camponia!

Da tela acesa, produto de milhões de elétrons desacelerados, mensagens de atualizações de números, padrões e processos eram apresentadas em ritmo frenético. “Quá! Quem é besta de aprovar essa lei?”, observara Adélia, enquanto estirava os ossos – pesados, como dias pesados, como eram quase todos os dias. Sempre sonhara em fazer uma lei [1]. E se fizesse, pensava, seria justa. Mas, existem leis justas? O paradoxo era imediato: sem ser justa, uma lei não pode fazer justiça. De súbito, pergunta-se: é possível à Justiça ser justa? Quem fez a lei, Deus ou os homens? Se Deus fez os homens, e estes, por sua parte, criaram as leis, e Deus é justo, como pode, Ele, criar homens capazes de leis injustas? O homem é criatura de Deus ou Deus é uma criatura dos homens?
Troca de canal. Determinada a acreditar que o tempo dos suplícios passou, que não existem mais os pelourinhos, que guilhotinas e corpos crucificados são coisas da velha história, a mulher se surpreende com o corpo; corpo de um homem – por aparência, jovem. Estava ali, estendido no chão, para fotógrafos-abutres. Objetificado, imundo, fétido, moribundo, número, estatística, corpo despersonificado, dado. Bandido bom é bandido morto? Eis um cristão, sedento de morte – lei orgânica da filosofia de vida ocidental. Por aqui, a morte é um delírio, em plateias repletas de “homens de bem”!
Caiu no mundo, um dia. Na outra tela, agora não tão clara – “deve ser o sinal”, pensou! – a lei é revelar histórias surpreendentes, feitos de poucos homens e mulheres. O mundo deve ser isso: histórias esquisitas, como sinônimo de extraordinário. Não tenho nada. Nenhuma desgraça pra contar. Do que serve uma mulher sem, pelo menos, uma desgraça nessa vida? A existência dicotômica e, por certo, limitada, não pode prescindir de uma das partes dos seus polos. A ausência de uma história extraordinária compõe a vida de seres ordinários, infames, empapuçados, a maioria esmagadora dos sapiens. Perder-se por esse mundão, portanto, é chance de se encontrar numa das faces da lei, na sequência de transições eletrônicas por diferentes estados quânticos, imagem borrada, mas, ainda assim, vista em sua plena decadência.
Tique-taque. O tempo é uníssono. Relógios, geralmente, obedecem às leis de movimentos harmônicos simples, pêndulo imaginário, sem atrito, regime de repetibilidade eterna, quase sacra fome, deus único e impotente, frente à lei. Leis harmônicas, simples, injustas. Vida harmônica, simples, injusta, sórdida. Troca o canal, por favor!
Adélia acende o cigarro. As cigarras aumentam o volume: decibéis e decibéis. O sertão, alheio à lei e vítima dela, embala os objetos em sonhos e presságios. Sonhar é difícil: pesa o peso da vida. Dali, arribou-se João, Antônio, Josefa…vixe…gente demais, povos todos iguais… “nem sei para quê nomes”. Perdura um vício de afirmar que não somos, que ainda estamos por ser, lá longe, nas bandas largas de lá, encurtando as chances de cá. A lei silencia, apaga, norteia – quando devia sulear (assim, mesmo, palavra não dicionarizada). Camponia ( assim, mesmo, palavra não dicionarizada) , não contra, mas em relação à cidadania! Aqui, precisa ser dito: a lei não é para todos. Lei inventada por uns poucos, designa destinos, afasta amores e castiga como canto de cigarra, em fim de tarde avermelhado. Não podiam ter ido embora: “eita saudades da peste”! De agora em diante, ficaremos e (res)(ex)istiremos: eis a lei!

[1] Lei e justiça não são sinônimos. Mas não me interessa, neste momento, distinções conceituais. Reconheço as lacunas conceituais deste ato escrevinhador. No entanto, avanço,ensaiando o sulear , rumo à camponia!

CONTINUA APÓS PUBLICIDADE



Veja Mais
Clique para comentar
0 0 vote
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks

Política

‘A luta de professores por direitos’ foi o tema da AgendaMIC dessa semana

ENTENDA A ATUAL SITUAÇÃO DOS PROFESSORES QUE TIVERAM SEUS DIREITOS TIRADOS PELA PREFEITURA DE MORRO DO CHAPÉU.

Publicado

dia

A Luta dos Professores na Defesa dos Direitos foi o tema central da última edição da AgendaMIC, terça-feira, 23/03. O bate-papo virtual aconteceu a noite e foi transmitido na Live do Léo. Veja como foi a conversa assistindo o vídeo abaixo.

A 3ª edição da AgendaMIC na Live do Léo, apresentada por Welton Matos – autor da Agenda, convidou a Professora Lilian Maria, Coordenadora da APLBAssociação dos Professores Licenciados da Bahia que manifestou a sua insatisfação com a forma como os direitos da classe de professores estão sendo tirados mesmo que tenham sido conquistados com muita luta pela instituição que tem mais de 85 anos.

Lilian relembrou alguns momentos na trajetória de luta dos professores de Morro do Chapéu. Veja a seguir.

ENTENDA A ATUAL SITUAÇÃO DOS PROFESSORES QUE TIVERAM SEUS DIREITOS TIRADOS PELA PREFEITURA DE MORRO DO CHAPÉU.

CONTINUA APÓS PUBLICIDADE



—–O que está acontecendo com a classe de professores do Morro do Chapéu é o seguinte:

  • Em Janeiro circulavam boatos que a gestora iria mexer nos salários, pois segundo ela, ganhamos rios de dinheiro.
  • A APLB então solicitou reunião onde a gestora [Juliana Araújo, PL] garantiu que eram apenas boatos.
  • Não foi. [E o] pagamento de janeiro [veio] com desconto. Ao ser questionada mais uma vez, alegou que estávamos recebendo vantagem em cima de vantagem, gerando um efeito cascata.
  • Mais uma reunião foi feita: comissão do FUNDEB, advogados das duas partes, professor de matemática para mostrar os cálculos, e ela [Juliana] simplesmente irredutível continua com os descontos, não considerando a progressão da classe (calculando o salário atual pelo salário base de 11 anos atrás. Ao invés de calcular sobre nossas gratificações);
  • O plano de carreira do magistério está em vigor desde 2010, após incansáveis dias de lutas para aprovação… rasgado e jogado no lixo por uma gestora que parece desconhece-lo.
  • Em fevereiro e março [a] pressão sobre os funcionários em cargos comissionados, ordenando que não participassem dos movimentos ou compartilhassem nada referente a isso; inclusive saíssem do grupo da APLB;
  • Muitos funcionários públicos estão intimidados com a postura da atual gestão [Juliana Araújo, prefeita de Morro do Chapéu-BA]: perseguidora, autoritária, arrogante e desconhecedora dos direitos que regem a nossa lei”.

 – TEXTO DE AUTORIA DE ALGUNS PROFESSORES DO MUNICIPIO DE MORRO DO CHAPÉU publicado no facebook. —-

Na AgendaMIC:

16/03/2021: Inclusão Cultural em Ponta D’ Água“.

09/03/2021: Exclusão Cultural Resistência Quilombola“.

Veja Mais

ARQUIVO WM

0
Would love your thoughts, please comment.x
()
x