Connect with us

Política

Bolsonaro é a nossa pior pandemia

Publicado

dia

Bolsonaro é a nossa pior pandemia

“As pessoas não passam pela pandemia que merecem. Elas passam pela pandemia que elegem” [1]. A frase, de Atila Iamarino, em postagem recente em uma rede social, é um dos melhores resumos da crise sanitária e política na qual estamos metidos. Eu diria, a crise é mais política – não por suposta guerra biológica chinesa, como adoram espalhar os bolsonaristas adeptos de fakanews. Ao afirmar que a crise “mais política”, não quero relativizar o genocídio causado pelo novo coronavírus. Estamos morrendo. Mas estamos destituídos da capacidade de reagir ,frente a uma tragédia que se mostra em assustador crescimento.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro insiste na tática política negacionista. Bolsonaro orienta as relações institucionais com grosseria, perseguições e guerra ideológica. O que estou afirmando é caracterizado através de inúmeros exemplos. Quem não se lembra da “crise” com a comunidade judaica, ao sugerir o perdão dos crimes nazistas contra os judeus?[2]. A ironia desse fato, é que a mesma comunidade atacada foi tolerante quando Bolsonaro – ainda em campanha – agiu, como sempre fez, de modo racista, ao afirmar que “quilombolas não servem nem para procriar” [3]. Por essa fala criminosa, o atual presidente da república foi condenado a pagar meros 50 mil reais. Mas não parou de destilar seu ódio – sua marca política – contra mulheres, negros, homossexuais, “comunistas”, nordestinos…para Bolsonaro, os “homens de bem” são seus amigos milicianos e os militares “senis” que o rodeiam. Bolsonaro, como se sabe, filho do juiz canalha ( Sérgio Moro) e da rede Globo de televisão, pactuados com elite rapina do país, alimenta uma esquizofrenia política, tipicamente nazi-fascista, cujos frutos amargos são colhidos desde o início da sua gestão.

A Pandemia se confunde com Bolsonaro, sendo o fruto mais amargo que colhemos até agora. Neste ponto, especialmente, Atila crava mais um acerto: a Pandemia foi eleita para Presidente da República. Não estou dizendo, caro leitor, que Bolsonaro trouxe a pandemia. No entanto, devo dizer: poucos líderes mundiais fizeram um uso tão perverso da pandemia quanto Ele!

Em maio de 2020, quando mais de 24 mil pessoas já tinham sido vitimadas pela COVID-19, Eduardo Bolsonaro resolve estragar as relações diplomáticas com a China. Em um gesto típico de lacaios do imperialismo, tenta associar a disseminação da doença no mundo ao modelo de governabilidade chinês[4]. A China, para quem não sabe, além de ajudar na labuta contra a pandemia no mundo inteiro, inclusive por aqui, tem forte impacto nas relações comerciais brasileiras. De acordo com o site El País, até fevereiro deste ano, as relações comerciais com a china correspondiam a um quarto da balança comercial brasileira – o que corresponde a 15,2 bilhões de dólares. Mas a pandemia bolsonarista, sem nenhuma justificativa – além da destruição do país-, resolve atacar os chineses. A resposta veio de imediato, apequenando a agonizante diplomacia brasileira.

CONTINUA APÓS PUBLICIDADE



A pandemia bolsonarista, anterior à pandemia do novo coronavírus, ataca, constantemente, as ciências e os cientistas brasileiros. O professor e cientista, Ricardo Galvão, foi atacado pela máquina ideológica do governo nazi-fascista bolsonarista. Motivo? Divulgação de dados sobre os desmatamentos – leia-se, no geral, crimes ambientais – na Amazônia[5]. O ministro Ricardo Salles – aquele que diz que seria importante aproveitar a crise da pandemia, para “ir passando a boiada” –, em um programa televisivo, ataca o pesquisador Ricardo Galvão, que responde com a sabedoria que lhe é característica, insistindo na defesa da ciência como um importante instrumento para o desenvolvimento nacional. Detalhe: o professor Ricardo Galvão, é escolhido entre os 10 cientistas mais influentes do mundo, em 2019, pela revista Neture[6].

Ainda no caminho do negacionismo científico, na contramão da comunidade de pesquisa internacional em medicina, a pandemia bolsonarista insistia no uso do hidroxicloroquina como solução da crise sanitária. Além disso, quase todos os protocolos médicos, incluindo o afastamento físico entra as pessoas, eram tratados como ineficazes. Recentemente, em seus canais de comunicação com seu público, depois de de assumir que testou positivo para COVID-19, o presidente alega que faz o uso de hidroxicloroquina. No receituário bolsonarista, até vermífugo entrou na lista de recomendações do presidente [7]. Em nenhum dos casos, existem evidências seguras da eficácia das medicações. Mas as narrativas bolsonaristas não estão interessadas em questões científicas: é puro achismo e perseguição ideológica – características de um governo que não se importa com a vida.

Basta um pouco de sensatez ou uma pesquisa básica, e o leitor verá que estamos diante de um governo que assume a morte como política de Estado. Estamos sem ministro médico na saúde. Estamos sem presidente. O bolsonarismo é a pandemia real. Não importam os números de mortes. Para essa gente, a doença é uma conspiração comunista, um invenção de cientistas esquerdistas. Estamos todos e todas em quarenta, desde março: são quatro meses. Em pesquisa recente, li que 45% dos brasileiros não veem seus familiares desde o início da quarentena! Isso é muito violento. Uma sofrimento emocional terrível. E não sabemos quando vai passar.

Só é possível vencer a pandemia com políticas sérias, com a liderança do Estado contra a doença e com respeito à ciência. Vários países estão vencendo o vírus e os seus habitantes estão voltando a viver com mais alegria. O caso mais impressionante é o da Nova Zelândia [8], ainda que não seja o único. Quanto a nós, brasileiros e brasileiras, eleitores ou não de Bolsonaro, precisamos sobreviver à pandemia bolsonarista que começou, oficialmente, em janeiro de 2019, com duração até dezembro de 2022 – considerando que essa tragédia será derrotada nas urnas. Estamos doentes de muitas patologias. Mas a pior delas é política. Chama-se, Bolsonaro!

[1] Atila Iamarino. Disponível em: <https://twitter.com/oatila>. Acesso em: 20/07/2020.

[2] Israelenses condenam a fala de Bolsonaro sobre o Holocausto. Disponível em : < https://www.dw.com/pt-br/israelenses-condenam-fala-de-bolsonaro-sobre-holocausto/a-48320616>. Acesso em: 20/07/2019.

[3]Bolsonaro: “Quilombola não serve nem para procriar”. Disponível em: <https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/bolsonaroquilombhttps://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/bolsonaro-quilombola-nao-serve-nem-paraprocriar/ola-nao-serve-nem-para-procriar/>. Acesso em 20/07/2020.

[4] Esforço de Eduardo Bolsonaro para demonizar China copia Trump e ameaça elo estratégico do Brasil. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2020-03-19/esforco-de-eduardo-bolsonaro-para-demonizar-china-copia-trump-e-ameaca-elo-estrategico-do-brasil.html>. Acesso em: 20/07/2020.

[5] “Constrangimento” com Bolsonaro por dados de desmatamento derruba diretor do INPE. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/02/politica/1564759880_243772.html> . Acesso em 20/07/2020.

[6] Ricardo Galvão: Science defender .As chaos spiked in the Amazon, the physicist became a national hero by challenging Brazil’s government. Disponível em: < https://www.nature.com/immersive/d41586-019-03749-0/index.html >. Acesso em 20/07/2020.

[7] Depois da cloroquina, Bolsonaro diz tomar vermífugo sem comprovação científica contra a covid-19. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/sociedade/coronavirus/depois-da-cloroquina-bolsonaro-diz-tomar-vermifugo-sem-comprovacao-cientifica-contra-covid-19-1-24540039>. Acesso em 20/07/2020.

[8] Três países que venceram o vírus. Disponível em: <https://g1.globo.com/mundo/blog/helio-gurovitz/post/2020/06/02/tres-paises-que-venceram-o-virus.ghtml> Acesso em 20/07/2020.

Veja Mais
Clique para comentar
0 0 vote
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks

Chapada Diamantina

Prefeito de Piatã registra queixa em delegacia por ser ameaçado de morte por traficantes locais.

Ameaçando também sua família, o criminoso diz que o prefeito tem responsabilidade sobre ações da PM contra o tráfico local.

Publicado

dia

Por

O prefeito do município de Piatã, na Chapada Diamantina, Edwilson Oliveira Marques, o popular ‘Ed Peças’ (PDT), registrou na manhã desta quarta-feira (11) um queixa na Delegacia de Polícia por ter recebido ameaças de morte. De acordo com o gestor, ele e sua família estão em alerta por receberem as ameaças feitas por traficantes conhecidos na região. “Os criminosos atribuem ao prefeito, sem fundamento algum, responsabilidade por ações da Polícia Militar de combate ao tráfico de drogas”, aponta a assessoria do político.

No boletim de ocorrência enviado ao Jornal da Chapada, ‘Ed Peças’ registra que um homem, sem identificação, chegou na cidade e disse a terceiros que estaria “no dia da votação para matar Edwilson, pois o sobrinho de um criminoso morto no dia 17 de julho por intervenção da Polícia Militar, em Seabra. O traficante ainda gravou um vídeo e publicou em redes sociais, afirmando ter dois mandatos de prisão e uma vasta ficha criminal, alegando que “Ed derramou meu sangue tentando me matar”.

Ainda conforme dados apurados pela reportagem, o gestor solicitou proteção policial para ele e seus familiares. “Em 2016, também no período eleitoral, aconteceram fatos idênticos, mas, agora, as ameaças ocorrem de forma premeditada e organizada, através de mensagem de WhatsApp, que registram promessas de vingança, tendo como alvo inclusive, minha família”, alega prefeito, nitidamente abalado pelas ameaças.

Veja Mais

ARQUIVO WM

0
Would love your thoughts, please comment.x
()
x