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Política

Pessoal ou coletivo? Pessoa ou projeto?

Quando votamos, votamos em pessoas ou votamos em projetos? A questão é de difícil resposta e eu sei que o tema do voto eleitoral é amargo.

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Pessoal ou coletivo? Pessoa ou projeto?

O homem é um animal político, afirma Aristóteles, no Livro I da Política. A afirmação pode ser desconfortável para quem diz que “não vive de política”. Entendo o desconforto, especialmente se a nossa noção de política é limitada ou se o leitor não ocupa um cargo que está diretamente ligado à mandatos no legislativo ou executivo, seja de uma cidade, de um estado ou de uma nação. Mas, ainda assim, mesmo sem ser “político profissional” – fato que não é nenhum pecado –, o leitor não pode escapar à sua natureza de “animal político”. Desde o voto, passando pela escolha da roupa, até o que chega ( ou não chega!) como alimento à nossa mesa é ato político. Você está implicado politicamente: não tem escolha! Afirmar-se não político, também, é ato político!

Feita essa pequena introdução, gostaria de organizar esse breve texto a partir de um aspecto da política que é muito conhecido de todos e todas: a política ligada às eleições de pessoas para cargos no executivo e legislativo. No Brasil, pessoas alfabetizadas, maiores de 18 anos e menores de 70 anos são obrigadas ao voto em eleições municipais, estaduais e federais, de modo que possam eleger seus “representantes” a cada quatro anos. A pergunta que coloco é: quando votamos, votamos em pessoas ou votamos em projetos?

A questão é de difícil resposta e eu sei que o tema do voto eleitoral é amargo – considerando a frustração nossa com a classe política. Não se engane, leitor, eu também estou frustrado! Mas eu o convido a pensar, a partir da realidade das eleições municipais. Sou de Mairi, mas por estar residindo em Morro do Chapéu, escolhi ser eleitor deste município. Portanto, vou votar, assim como muitos morrenses, nas eleições de 2020. Sou ativista político, não fico “em cima de muro”, embora não seja filiado a partidos políticos. No entanto, preciso votar. Sendo assim, a pergunta seguinte é: em quem vou votar e por quais razões devo votar nessa pessoa ( ou projeto?)?

Sobre que critérios utilizar para decidir o voto, creio que é importante que a gente faça algumas perguntas, a saber:

  • 1) o (a) candidato (a) tem um projeto que representa as identidades e a diversidade de grupos sociais da sua cidade? Tomemos Morro do Chapéu, que é nosso foco; somos uma cidade multicultural, com uma diversidade enorme de grupos étnicos e com marcas profundas de desigualdade socieconômica. Quando vou à rua, ou frequento povoados e comunidades, encontro rostos de diferentes matrizes étnicas ( brancos, negros, indígenas, etc). Essa diversidade étnica e as disparidades socieconômicas, certamente, marcam diferentes formas de perceber o mundo, diferentes demandas por políticas públicas e , por consequência, isso indica que quem vai representar o município deve responder a diferentes anseios.
  • 2) o (a) candidato (a) tem serviço prestado ao município de Morro do Chapéu? E aqui eu não refiro, somente, a ocupações profissionais. Sou professor, trabalhando nessa cidade, mas isso não me qualifica politicamente a ocupar um cargo no legislativo municipal – por exemplo. A qualificação política é importante, e indica se o (a) candidato (a) conhece os reais problemas do município e, mais, se o mesmo tem acompanhado estes problemas e encaminhado soluções. Soluções que são propostas em campanha eleitoral não dizem muito!
  • 3) Se o(a) candidato (a) já ocupou diretamente o legislativo ou executivo, quais foram os compromissos de campanha desenvolvidos durante o mandato? O mandato realizou prestação de constas à comunidade? Você percebia o envolvimento do mandato na vida cotidiana das comunidades? Na solução dos problemas reais do povo morrense, onde estava o(a) candidato(a)?
  • 4) O projeto político, com a qual o(a) candidato(a) faz aliança responde as questões 1, 2 e 3? E, aqui, é importante trazer esse olhar para a política local. A aliança com grupos políticos dominantes, com clara incapacidade de responder às promessas de campanha não são bem-vindas.
  • 5) Por fim, para não ficar exaustivo, é preciso verificar se não existem condenações nas instâncias judiciárias competentes por atos impróprios à atividade política. Ou seja, seu candidato (a) precisa ser “ficha limpa” e demonstrar que é capaz de lidar modo de ético com bem público.

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As questões acima não são uma receita. Certamente, o leitor deve incluir outros elementos, além desses em destaque no texto. Mas é importante ter em mente que quem não conhece os problemas do povo, em sua essência, provavelmente não terá o melhor projeto para nossa cidade. Eu não votarei em um(a) candidato(a) que não preencha minimamente os critérios acima. Em um município com a dimensão territorial como o nosso ( 5.744 km2 , de acordo com dados IBGE), com 35413 habitantes ( IBGE, 2019) e com tamanha diversidades étnicas e culturais, quem não pisa o chão que a nossa gente pisa, não saberá defender os nossos interesses coletivos. Portanto, resta-nos o cuidado de escolher o projeto que nos representa. E projeto não é, tão somente, indicar futuras ações em áreas como saúde, educação, cultura, turismo, emprego e renda, etc. Para além disso, o projeto deve indicar como fazer, quanto custa, quais as possíveis fontes de captação de recursos, quais os prazos de realização dos mesmos e quais os setores responsáveis por sua execução.

Evidentemente, votamos em um nome. Mas este nome é responsável por representar e defender um projeto. Sem um projeto claro, candidatos(as) vão representar interesses pessoais. E as consequências disso a gente já conhece.

Para concluir, é importante buscar informação qualificada e estar atento com a disseminação de notícias falsas – as famosas fakenews. Sobre as fakenews,tratarei em um momento oportuno. No entanto, desde já, afirmo que projetos que criam e/ou divulgam fakenews não merecem a nossa confiança. Fiquemos atentos (as)!

Mestre em ensino de física - UEFS, professor da rede pública de ensino da Bahia e músico!

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1 ano atrás

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Política

‘A luta de professores por direitos’ foi o tema da AgendaMIC dessa semana

ENTENDA A ATUAL SITUAÇÃO DOS PROFESSORES QUE TIVERAM SEUS DIREITOS TIRADOS PELA PREFEITURA DE MORRO DO CHAPÉU.

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A Luta dos Professores na Defesa dos Direitos foi o tema central da última edição da AgendaMIC, terça-feira, 23/03. O bate-papo virtual aconteceu a noite e foi transmitido na Live do Léo. Veja como foi a conversa assistindo o vídeo abaixo.

A 3ª edição da AgendaMIC na Live do Léo, apresentada por Welton Matos – autor da Agenda, convidou a Professora Lilian Maria, Coordenadora da APLBAssociação dos Professores Licenciados da Bahia que manifestou a sua insatisfação com a forma como os direitos da classe de professores estão sendo tirados mesmo que tenham sido conquistados com muita luta pela instituição que tem mais de 85 anos.

Lilian relembrou alguns momentos na trajetória de luta dos professores de Morro do Chapéu. Veja a seguir.

ENTENDA A ATUAL SITUAÇÃO DOS PROFESSORES QUE TIVERAM SEUS DIREITOS TIRADOS PELA PREFEITURA DE MORRO DO CHAPÉU.

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—–O que está acontecendo com a classe de professores do Morro do Chapéu é o seguinte:

  • Em Janeiro circulavam boatos que a gestora iria mexer nos salários, pois segundo ela, ganhamos rios de dinheiro.
  • A APLB então solicitou reunião onde a gestora [Juliana Araújo, PL] garantiu que eram apenas boatos.
  • Não foi. [E o] pagamento de janeiro [veio] com desconto. Ao ser questionada mais uma vez, alegou que estávamos recebendo vantagem em cima de vantagem, gerando um efeito cascata.
  • Mais uma reunião foi feita: comissão do FUNDEB, advogados das duas partes, professor de matemática para mostrar os cálculos, e ela [Juliana] simplesmente irredutível continua com os descontos, não considerando a progressão da classe (calculando o salário atual pelo salário base de 11 anos atrás. Ao invés de calcular sobre nossas gratificações);
  • O plano de carreira do magistério está em vigor desde 2010, após incansáveis dias de lutas para aprovação… rasgado e jogado no lixo por uma gestora que parece desconhece-lo.
  • Em fevereiro e março [a] pressão sobre os funcionários em cargos comissionados, ordenando que não participassem dos movimentos ou compartilhassem nada referente a isso; inclusive saíssem do grupo da APLB;
  • Muitos funcionários públicos estão intimidados com a postura da atual gestão [Juliana Araújo, prefeita de Morro do Chapéu-BA]: perseguidora, autoritária, arrogante e desconhecedora dos direitos que regem a nossa lei”.

 – TEXTO DE AUTORIA DE ALGUNS PROFESSORES DO MUNICIPIO DE MORRO DO CHAPÉU publicado no facebook. —-

Na AgendaMIC:

16/03/2021: Inclusão Cultural em Ponta D’ Água“.

09/03/2021: Exclusão Cultural Resistência Quilombola“.

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