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Política

Vacina, ciência e política

Uma vacina para o novo coronavírus é uma mina de ouro e encherá os bolsos dos abutres capitalistas, que não perdem um centavo com a crise.

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Vacina, ciência e política

Passamos de 100 mil, por covid-19, no Brasil. A crise se afunila, a cada dia, mostrando que não se tratava de uma “gripezinha” – como supunha o canalha que, por força da diplomacia, ainda precisamos chamar de presidente. Já disse em outros textos, neste canal, e repito: o Messias não reúne condições mínimas para o exercício do cargo que ocupa.

Se não sabemos como tudo isso termina, ao menos concordamos sobre a necessidade uma vacina confiável – ainda ausente no “mercado”. Sem ela, não poderemos garantir o retorno seguro às nossas atividades cotidianas. Em vários países as experiência de retomada esbarram no aumento de número de casos, indicando que não é o momento de voltar, sob risco de novos surtos da doença [1,2]. A corrida por uma vacina fica, portanto, acirrada, implicada por duas questões indissociáveis: política e ciência.

Uma vacina para o novo coronavírus é uma mina de ouro e encherá os bolsos dos abutres capitalistas, que não perdem um centavo com a crise. Não se engane, leitor: a corrida é, principalmente, por poder, por dinheiro. Quem descobrirá? A resposta é difícil. Pode ser que muitas vacinas apareçam simultaneamente. Mas certamente, a produção em larga dependerá de questões políticas, científicas e econômicas. Nesse sentido, estamos muito atrasados. Das seis vacinas em fase 3 – ou seja, candidatas mais próximas para imunizar contra a doença –, o Brasil fez a acordo de compra e produção com duas delas [3]. Não teremos, certamente, uma vacina para chamar de nossa – pelo menos em curto prazo, comparado aos países do centro do capitalismo.

É importante destacar que a produção de novos fármacos e vacinas não acontece da noite para o dia[4]. Diversas fases experimentais são necessárias, para que uma substância seja liberada para uso. Ou seja, quem se adianta primeiro, aumenta as chances de descobertas de drogas bem sucedidas. Para isso, é preciso reunir dinheiro, ciência e disposição política. O que faz o governo brasileiro? Ataca a ciência, reduz investimentos em pesquisa e faz o aparelhamento de ministérios, enchendo-os de militares incultos e arrogantes. Honestamente, não consigo encontrar esperança de que uma vacina tenha origem em terras brasileiras.

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O que faremos? Confesso que não sei. Para o presidente genocida, devemos “tocar a vida” [5], enquanto mais de 104 mil pessoas já morreram. O presidente insiste em uma droga sem nenhuma comprovação de eficácia. É uma decisão política clara, contra a ciência e contra o povo. No momento, as consequência das escolhas políticas que negam o conhecimento científico são sentidas nas mortes e nas incertezas em que que vivemos – imersos em uma crise sem precedentes.

Os modelos de governo – dimensão política – indicam como os países encaram a ciência e, por consequência, como divulgam/desenvolvem suas pesquisas. O Brasil vive um modelo de pesquisa que visa a publicação de artigos, pouco interessado em patentes. As consequências disso não são fáceis de perceber. No entanto, destaco duas, de imediato: perdemos dinheiro, perdemos vidas e não sabemos encaminhar soluções para crises como esta que estamos vivendo. Não é que os nosso pesquisadores sejam ruins. É que não produzimos pesquisa para o povo, para as soluções dos problemas reais.

Estados Unidos, Rússia e China defendem interesses próprios. Ou devemos achar que são bonzinhos? Não. Não são. O mercado de remédios envolve muito dinheiro. Quem descobrir a vacina injetará milhões em cofres de corporações da saúde. Não de graça, a vacina russa foi prontamente questionada [6]. É uma guerra, caro leitor, em que a ciência que salvaria vidas fica à mercê dos abutres do sistema capitalista. Aqui, política e ciência, mais uma vez se encontram. A fatia bilionária da nova vacina está em disputa, não se engane! Por isso, também, os russos não querem detalhar a produção da sua vacina. Do mesmo modo, os chineses, ainda que respondam aos protocolos da OMS, não vão entregar suas ideias em congressos “internacionais”, como fazem os pesquisadores brasileiros, sedentos por publicações que preencham páginas e páginas de currículo. É comportamento científico baseado em estratégias políticas.

O Brasil estava construindo um importante caminho para o desenvolvimento de uma ciência nacional, ainda engatinhando. Mas as decisões dos governos Temer e Bolsonaro estão atacando de morte a pesquisa brasileira. Se o futuro nos reservar alguma possibilidade para reerguer este país, devemos abandonar o viralatismo político e científico, que nos torna lacaios do imperialismo estadunidense. E mais, não devemos aceitar postura subalterna com nenhum país. Respeitosos, sim. Subalternos, jamais. No momento, tudo que devemos fazer é esperar o que os impérios vão nos oferecer, custe o preço que custar. Ciência e política nunca foram tão interligados. Espero que a gente entenda isso, definitivamente.

[1] Novos surtos de coronavírus na Espanha aumentam temor de ‘segunda onda’ na Europa. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/internacional-53554455>. Acesso em: 12/08/2020.

[2] Novos contágios fazem duas escolas fecharem na Alemanha logo após reabertura. Disponível em: < https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2020/08/07/covid-19-duas-escolas-sao-fechadas-na-alemanha-logo-apos-reabertura.htm>. Acesso em: 12/08/2020.

[3]Como o Brasil se prepara para garantir a vacina de covid-19 à população. Disponível em: < https://www.dw.com/pt-br/como-o-brasil-se-prepara-para-garantir-a-vacina-de-covid-19-%C3%A0-popula%C3%A7%C3%A3o/a-54528808>. Acesso em 12/08/2020.

[4] A arsenal antivírus. Pesquisa FAPESP, n.291, 2020.

[5]‘Vamos tocar a vida’, diz Bolsonaro sobre país atingir 100 mil mortes por covid. Disponível em: <https://catracalivre.com.br/cidadania/vamos-tocar-a-vida-diz-bolsonaro-sobre-pais-atingir-100-mil-mortes-por-covid/>. Acesso em 12/08/2020.

[6] Sem resultados, OMS não vai recomendar vacina russa. Disponível em: < https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/08/sem-resultados-oms-nao-vai-recomendar-vacina-russa.shtml>. Acesso em 12/08/2020.

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Política

‘A luta de professores por direitos’ foi o tema da AgendaMIC dessa semana

ENTENDA A ATUAL SITUAÇÃO DOS PROFESSORES QUE TIVERAM SEUS DIREITOS TIRADOS PELA PREFEITURA DE MORRO DO CHAPÉU.

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A Luta dos Professores na Defesa dos Direitos foi o tema central da última edição da AgendaMIC, terça-feira, 23/03. O bate-papo virtual aconteceu a noite e foi transmitido na Live do Léo. Veja como foi a conversa assistindo o vídeo abaixo.

A 3ª edição da AgendaMIC na Live do Léo, apresentada por Welton Matos – autor da Agenda, convidou a Professora Lilian Maria, Coordenadora da APLBAssociação dos Professores Licenciados da Bahia que manifestou a sua insatisfação com a forma como os direitos da classe de professores estão sendo tirados mesmo que tenham sido conquistados com muita luta pela instituição que tem mais de 85 anos.

Lilian relembrou alguns momentos na trajetória de luta dos professores de Morro do Chapéu. Veja a seguir.

ENTENDA A ATUAL SITUAÇÃO DOS PROFESSORES QUE TIVERAM SEUS DIREITOS TIRADOS PELA PREFEITURA DE MORRO DO CHAPÉU.

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—–O que está acontecendo com a classe de professores do Morro do Chapéu é o seguinte:

  • Em Janeiro circulavam boatos que a gestora iria mexer nos salários, pois segundo ela, ganhamos rios de dinheiro.
  • A APLB então solicitou reunião onde a gestora [Juliana Araújo, PL] garantiu que eram apenas boatos.
  • Não foi. [E o] pagamento de janeiro [veio] com desconto. Ao ser questionada mais uma vez, alegou que estávamos recebendo vantagem em cima de vantagem, gerando um efeito cascata.
  • Mais uma reunião foi feita: comissão do FUNDEB, advogados das duas partes, professor de matemática para mostrar os cálculos, e ela [Juliana] simplesmente irredutível continua com os descontos, não considerando a progressão da classe (calculando o salário atual pelo salário base de 11 anos atrás. Ao invés de calcular sobre nossas gratificações);
  • O plano de carreira do magistério está em vigor desde 2010, após incansáveis dias de lutas para aprovação… rasgado e jogado no lixo por uma gestora que parece desconhece-lo.
  • Em fevereiro e março [a] pressão sobre os funcionários em cargos comissionados, ordenando que não participassem dos movimentos ou compartilhassem nada referente a isso; inclusive saíssem do grupo da APLB;
  • Muitos funcionários públicos estão intimidados com a postura da atual gestão [Juliana Araújo, prefeita de Morro do Chapéu-BA]: perseguidora, autoritária, arrogante e desconhecedora dos direitos que regem a nossa lei”.

 – TEXTO DE AUTORIA DE ALGUNS PROFESSORES DO MUNICIPIO DE MORRO DO CHAPÉU publicado no facebook. —-

Na AgendaMIC:

16/03/2021: Inclusão Cultural em Ponta D’ Água“.

09/03/2021: Exclusão Cultural Resistência Quilombola“.

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